sábado, 12 de dezembro de 2009

III

o que sou eu, se não uma casa vazia?
com as portas fechadas, o sol não bate nas janelas
nem atravessam as frestas da porta.

não aprendi com a solidão,
nem fiz dela minha companheira.
mas queria ver a luz de um sorriso verdadeiro
e tranquilo no espelho,
pra iluminar o ser que a casa abriga.

só resta me expressar nesse pedaço do mundo,
um mundo dos outros, que vivem de mãos dadas.

Mas hoje as mãos irão servir,
pra abrir a tranca que me prende.
O sol há de entrar,
e a luz me fará enxergar
o mundo, que anda de mãos dadas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

II

mas são só quatro paredes,
isso ela não pôde levar.
Sento no meio deste salão
que fica tão pequenino sem ela,
já que o nosso amor tornava espaços
e lacunas infinitos.

E o que digo de nosso?
se ela já se foi com todas as letras,
não sei se voltará, pra me tornar infinito.

Aquele de antes, era eu.
Que hoje ando só, nesse salão embora grande,
apertado e pequeno pra mim.

I

Naquela casa,
todos os móveis eram teus.
todas as partes tinham teu cheiro, teu toque,
tua cor de bom gosto, teu carinho guardião.

Mas foste e levaste tudo contigo,
deixando na casa dele um vazio, que não se cala,
ecoa, incomoda e fere.

Mas levaste mais que os móveis e tuas características,
levaste dele também o coração, sem saber que era teu também.

Pra ele só ficou o vazio e o castigo,
de viver só e de ter perdido o tesouro.

O maior tesouro que foi lhe dado.
O Amor, que lhe foi tirado.